Reencontro

( Publicação de 10 de setembro de 2013- migrada do blogspot)

minhas artes

Encontrou-se com a menina tocando os dedos na areia grossa que circundava a lagoa. A luz do sol iluminava aqueles cabelos finos ainda castanhos claros que voavam no interesse da brisa. Perguntou-se se anda lembrava-se dela. Mas aquele gigante sorriso da menina quase tão brilhante quanto o sol não encontrou, no olhar da moça, quase brilho algum. Fez então com a cabeça um gesto de negação.

A moça já espera a resposta, também pudera, foram anos e mais anos da mais terrível solidão. Passaria ela por tanta maldade humana que dedilhar a areia era atividade que não se dedicava fazia tempo. Suspirou.

E num gesto como de outrora, abaixou-se ao chão e de leve tocou a areia. O silêncio foi de horas. Também, pouco importava a menina falar, pois sabia que os adultos pouco escutam, e pouco importava a moça falar, pois sabia que o silêncio muitas vezes falava quase tudo.

Sentadas, as duas olhavam para o horizonte. Uma e outra tentando adivinhar o que havia para além da extensão do universo. Nenhuma, porém suspeitava. Desistiram por fim e se entreolharam. Sorriram. O melhor é sempre sorrir.

Abraçaram-se por fim, e mal se pode ver onde acaba a menina e onde começava a mulher. Levantaram-se e seguiram pela costa catando cada concha e contando cada grão de areia. O final do trajeto não se pode ver. Nunca se sabe.

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