Impropérios

( Publicação de 24 de maio de 2013- migrada do blogspot)

Diante de mais uma afirmação bombástica do ex-ministro Ciro Gomes, a imprensa cearense se alimenta de uma série de noticias que dão conta do troca-troca de desaforos entre personalidades da vida pública cearense.

De um lado está a figura do irmão do Governador, do outro o vereador e líder sindical, Capitão Wagner.

Na defesa de Ciro, a Assembleia Legislativa, que possuí larga base de apoio ao governo. Na defesa do Capitão, a Câmara Municipal, casa onde o apoio ao recentemente eleito Prefeito Roberto Cláudio (que teve apoio do governador) é um pouco mais dividida.

Estão na lista das afirmações inesquecíveis do ex-ministro a afirmação de que “a minha companheira tem um papel fundamental. Ela dorme comigo” ( sobre sua então mulher, Patrícia Pilar durante a campanha para presidente), a declaração de que polícias e bombeiros grevistas eram um “conchavo de marginais fardados com marginais da quadrilha da droga que colocou toda a sociedade refém”, a de que o PMDB é “ajuntamento de assaltantes” ( programa É Notícia da RedeTV!) e a de que “Lula está navegando na maionese. Ele está se sentindo o Todo-Poderoso e acha que vai batizar Dilma presidente da República”.

Sobre o Capitão Wagner, Ciro disparou: “Tem uma questão grave. Você tem uma polícia, que a maioria é gente séria e trabalhadora, só que é orientada por uma milícia. Coisa ruim mesmo, coisa pesada, conexões com o narcotráfico, e o chefe é o capitão Wagner. E eu vou denunciar isso, nós vamos enfrentar”.

A reposta do Capitão foi a de que Ciro estaria tentando desviar o foco do debate sobre problemas da segurança pública no Ceará.

Feito o processo acusatório, podemos dizer que o ex-ministro aprendeu bem os caminhos da espetacularização da política. E a pergunta que aparentemente não foi feita, talvez seja a mais importante delas: Alguma prova?

Mas a mídia, ainda sedenta de vendas na era pós Collor, abre espaço a simples troca de informações baseada no eu te acuso e você que se defenda.

Pode até ser que o Capitão Wagner não seja um santo. Mas, o que não poderia jamais acontecer em um estado democrático de direito é a mídia seguir pautando dessa forma.

Em um ponto especifico, o Capitão está com toda razão. A partir da troca de acusações deixou-se de discutir a violência crescente na cidade.

A mesma mídia que por toda uma semana ressaltou o número crescente de assassinatos, agora dá espaço para os impropérios.

E, diga-se de passagem, quase não discutiu com a sociedade, o convite feito pelo prefeito Roberto Cláudio a Moroni Torgan para auxiliar na construção de um plano de segurança para Fortaleza.

Sim, o Moroni, ex- secretário de segurança de Tasso Jereissati. O mesmo que estabeleceu o Sistema Integrado de Defesa Social (Sindes) que como sabemos começou a ruir após o Caso França em 1997, e de quem o próprio Tasso em 2004 (entrevista para o jornal O Povo) afirmou: “O Moroni sabe o que eu penso dele. A turma que está atrás do Moroni não tem condições de estar na Prefeitura de Fortaleza. É uma turma da pesada, da repressão, que compactuou com os piores momentos da Polícia”. ( uma outra troca de impropérios).

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