Analise de texto: “Emoção e subjetividade na paixão-pesquisa em comunicação. Desafios e perspectivas metodológicas” – Maria Luiza Cardinale Baptista.

(Publicação de 12 de maio de 2013- migrada do blogspot)

Mexe aqui e ali, acabei encontrando alguns textos da época de faculdade. É curioso ver como construímos um pensamento. Este aqui foi feito para a especialização e trata de pesquisa, é uma analise do texto “Emoção e subjetividade na paixão-pesquisa em comunicação. Desafios e perspectivas metodológicas” – Maria Luiza Cardinale Baptista.

Departamento de comunicação social/Universidade Federal do Ceará – UFC

Especialização em teoria da comunicação e da imagem

Disciplina: Metodologia da pesquisa cientifica

Professor (a): Cida Campos

Aluna: Marina Valente Marins Camara – turma C

Texto: “Emoção e subjetividade na paixão-pesquisa em comunicação. Desafios e perspectivas metodológicas” – Maria Luiza Cardinale Baptista.

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Devo confessar que o texto provocou em mim muita surpresa. Possivelmente, ela se deu de forma diferenciada da esperada pela professora da disciplina de metodologia. Para mim nunca existiu separação entre pesquisa e paixão. A divisão de ambas seria inconcebível, não por que sou uma aluna arrogante que acredita não necessitar do aprendizado, mas, pelo contrário, por que possuo uma total ignorância sobre o debate.

Sempre estive limitada a um outro espaço a cerca não só da produção cientifica, mas também da própria comunicação, um debate também ressaltado no texto de Maria Luiza Cardinale, que está vinculado ao acesso a produção, que entre as suas regras e a vaidade dos comunicadores e/ou pesquisadores, fica limitada a um grupo restrito de pessoas que dominam o mesmo código, impedindo a circulação do que deveria ser UNIVERSAL.

Está preocupação, aliás, me levou além e refletiu na minha monografia que abrangeu a temática da comunicação sindical. Queria como Vito Giannotti, pesquisador do tema, conseguir perceber o que seria “falar para milhões”. Seria possível produzir para que “todo mundo entenda?”.

A minha incapacidade de perceber que existiria um sério debate sobre o tema paixão-pesquisa, que inclusive possui grade influência no que determina ser a comunicação ciência ou não, está na minha própria criação. Sou filha de pesquisadores e minha vida passou em grande parte por cenas de entra e saí de alunos dentro de casa, debates prolongados sobre índices de contaminação de mercúrio durante as refeições da família, ida de barco a manguezais durante as férias, visitas a laboratório e brincadeira com fitinhas coloridas de medir PH em água, substrato (lama) guardada na geladeira de casa e muitos congressos, que constituíram em mim uma cultura de pesquisa, mesmo que eu nunca tenha refletido sobre isso até hoje.

Quem foi criado nesse ambiente não poderia pensar que pesquisa estaria em qualquer momento separada de paixão. Mesmo porque para meus pais, pesquisadores na área ambiental (geoquímica e biologia marinha) parece bem mais fácil, ou pelo menos “mais bem resolvida”, a questão “paixão x objetividade”.

Bem resolvida por que eles lidam bem menos com a subjetividade que os pesquisadores da comunicação. Um dado de contaminação, por exemplo, é um dado concreto. Um número que só pode ser diferente do real se ocorrer problemas na coleta ou nos aparelhos.Um erro. Para nós comunicadores os dados podem resultar em análises muito mais diferenciadas e que reflitam, como afirma Maria Luiza Cardinale, o nosso tempo e o nosso espaço social.

Para eles, é possível deixar claro que a paixão foi motivadora de uma pesquisa de toda uma vida e que essa paixão não impede a imparcialidade e a objetividade. E que sem paixão não existiria o “olhar curioso” essencial para uma das mais importantes bases da pesquisa: a pergunta chave que dará a escolha do objeto.

Maria Luiza cardinale deixa isso claro ao afirmar, que segundo Maturana, só realizamos se estivermos motivados por esses “domínios de ação”. Não nós mexeríamos no intuito de responder questionamentos que nunca fizemos ou não achamos interessantes e não acreditamos ser importantes ou até mesmo se no dado momento não acreditamos ter o que acrescentar sobre as respostas que já foram dadas anteriormente. Podemos aqui reforçar esse pensamento citando a própria autora:

“Para mim ‘objeto paixão-pesquisa’ representa uma convicção. O sujeito só produz, se deseja, se algo o mobiliza. A paixão é plena de dispositivos de mobilização”.

Fica claro, que tocar no tema paixão desperta imediatamente um “velho fantasma” da comunicação que é a imparcialidade. Chamo assim, pois em minha opinião, a palavra, que é muito mais complexa que o significado que possui, assusta muito mais os comunicadores do que os auxilia. Deixando claro que os sociólogos parecem domina-la e compreende-la melhor do que nós comunicadores.

Cegos por encontrar esse espaço vazio,” livre de contaminações’, os comunicadores tem uma grande dificuldade de assumir que é impossível ser imparcial. Se pudermos tornar essa verdade como nossa poderíamos avançar dessa lápide do “ser imparcial” para um discurso mais amplo que desse conta do que verdadeiramente somos: ” não é possível ser imparcial mas é possível ser ético”, ” podemos buscar uma maior quantidade de visões e respostas”, ” ser o mais imparcial possível” , ” assumir nossas parcialidades”, ” pode não ser a única resposta a ser dada, mas está embasada em dados reais e numa análise” e desta forma, levar seriedade a pesquisa.

Se não somos imparciais e não temos como deixar de lado a subjetividade comum à comunicação, podemos realizar a pesquisa com a mesma importância e qualidade dada a outras ciências mais precisas. Basta derrubarmos barreiras construídas pela academia e por nós mesmos durante a tentativa de firmar a comunicação enquanto ciência. Até mesmo porque a comunicação é um dos mais importantes construtores de nossa humanidade, e se o próprio objeto é subjetivo, é sinal de que na verdade a negação dessa subjetividade é o que constitui, em minha opinião, nosso verdadeiro engano.

A autora caminha no sentido de afirmar que somos sujeitos de uma vivência coletiva e estamos “a mercê” dessa construção social, fruto da nossa interação e da própria comunicação, deixando claro que somos subjetivos, mas, que a própria construção dessa subjetividade não é individual, e citando Guattari, afirma que é produzida por “instâncias individuais, coletivas e institucionais”. Concluindo então o que afirmei no parágrafo anterior.

A aceitação do que Cardinale chama de “marcas multiplicas” que constituem o pesquisador e que nos levam de forma surpreendente a discutir os desafios na produção contemporânea da pesquisa e do que podemos verdadeiramente defender como válido nessa relação de produção, levanto aqui, um breve resumo sobre os aspectos desse desafio que foram trilhados por Maria Luiza Cardinale:

1- Crise de/ dos paradigmas- A autora questiona o apego às visões de mundo pelas grandes autoridades, que ameaçam e sentem-se ameaçadas por aqueles que questionam tais paradigmas.

2- concepção de ciência – Propõe que ao invés de uma visão “mecânica – reducionista-cartesiana” tenha-se uma visão mais ampla de ciência.

3- Visão sistêmica-A autora propõe a mudança da visão das partes para a visão do todo e de que os sistemas são totalidades integradas.

Quebra da “camisa de força” pela prioridade de referencial, ou seja, a pesquisa não deve ser montada para confirmar “pré – suposições”.

A preocupação de que o pensamento existe em redes e que os dados devem ser cruzados.

Ruptura com a concepção tradicional de objetividade cientifica. A necessidade de um aprofundamento da reflexão sobre a produção. Mudança para a ciência epistêmica.

Compreensão do limite de todas as teorias científicas.

Lógica processual. Levar em conta as mudanças e a necessidade do “fluxo continuo”. Das trocas.

Dimensão de entropia. Capacidade de organização diante da desordem provocada pelo excesso de informação própria do mundo contemporâneo.

Por fim, a autora salienta que a ciência sensibiliza, e portanto é capaz de eliminar os traços individuais construídos gerando aquilo que eu acredito ser fundamental para o sucesso de uma pesquisa, a generosidade do conhecimento: o conhecimento universalizado e socializado.

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