Despedida de Julho

( Publicação de 28 de julho de 2012- migrada do blogspot)

Eu tinha um grande amigo. Tão grande e querido amigo, o melhor que se poderia ter. Para ele tentei juntar meus retalhos, da melhor forma que pude fazer.

Parece loucura, e lá isso deve ser, que para alguém como ele abri um cofre sempre fechado, e dei o melhor que tinha sem questionar o que ele poderia levar. Dei a ele minha alma e meus abraços, e como não poderia deixar de ser, dei também meus segredos, meus medos e minhas tantas faces.

Mas, justamente, por ter aberto tudo que viva em meu ser, por ser tão transparente, menina ou mulher, que justo da dor ele se alimentou e amigo deixou de ser.

A falta que o amigo me faz, é a ferida que dentre todas, mais insiste em doer. Hoje, nessa tarde de julho, em que a vida se faz nuvem cinza, sinto falta do peito amigo em que me recostei um dia para me proteger. Ai de mim, sem você para recorrer.

E o que faço agora, que julho me levou embora a amizade de outrora? Em que colo choro a falta que me faz?

E como não há outra forma, vou a ti em lágrimas, mas se estão aparentes os cortes que fizeste em minha alma, mais ainda deseja-me distância. Sou a menina em busca da bola de sabão.

Porém, sempre fui deveras aguerrida, e como em tantas batalhas tento me erguer a te reconquistar. Tenho em punho única arma que posso usar, são as palavras que tento dizer.

Vejo com enorme tristeza, que fez de teu ouvido um escudo e teu coração, não perdoa como o meu. Insistente ainda tendo dizer.

Julho levou de mim o amor mais verdadeiro. O amor que perdi em tantos outros meses. Penso que em alguma estação, o verão quente e forte, o outono que renova ou a primavera talvez, você perceba que o tempo que passamos juntos não tem pouca qualidade como hoje afirma.Tem a divisão dos olhares, o suspirar em silêncio, o murmúrio do cotidiano e agitação da vida.

Quem sabe você, que hoje me esnoba, quando minha voz deixar de ouvir, meus conselhos deixar de tomar, sentirá então a saudade que hoje diz não ter?

Hoje, amigo, me fere como a um punhal, rompe-me com palavras amargas, certo do que possuí, empapuçado de meu amor. Não responde as minhas mensagens, finge não me conhecer e me troca como roupa suja por novos amigos que acabou de ter.

Ignora o que sempre esteve lá ao teu lado, diz que não quer minha proteção e justifica-se dizendo que não tem o que conversar comigo.

Tome, cuidado, que coração por demais ferido, não fortalece. Enlouquece. E se assim for esse lugar que o destino reservou para ti, talvez se ocupe com alguém que se importe com o meu tanto amar. Pode ser também, que esse lugar jamais se ocupe outra vez, já não há mais tanto o que doar.

Mas, isso tudo a partir de agora, é coisa minha e da minha solidão. A estrada que começo a caminhar, nesta triste tarde de julho.

 

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