Brasil, a ferida foi aberta!

( Publicação de 11 de abril de 2013- migrada do blogspot)

O tal preconceito que se afirma não existir no Brasil parece finalmente ter “dado às caras” com a escolha de Marcos Feliciano para a presidência da comissão de direitos humanos da Câmara Federal. E ele apareceu na sua forma mais tacanha, soltando de seus poros intolerância contra negros, mulheres e homossexuais.

Parece-me mesmo, que o único preconceito perdido até agora, é o preconceito que tínhamos de ter preconceito. A pessoa cruzava a rua quando via um negro, fazia voto contrário ao beijo gay na novela, mas dizia em alto bom som que não tinha preconceito. Agora têm. De repente todo preconceituoso resolveu deixar de ser enrustido e saiu da toca, anda declarando mesmo que gay não é gente e negro não presta. Virou moda, a moda Feliciano.

E o tal Feliciano, tá feliz da vida. Acredito até, que sua insistência em “não largar o osso” deve ser reflexo de um aumento considerável de seguidores, que agora mais do que nunca, contribuem financeiramente e intelectualmente com essa grande afronta ao ser humano.

Acredito que em nosso país, certos níveis de preconceitos sempre foram intoleráveis. Fui defensora do pensamento de que ele existia, mas era combatido, e que entre nós, não haveria brasileiros suficientes que conseguissem transformar o preconceito em modo de vida. Não esperava, por exemplo, ser possível no Brasil, qualquer tipo de guerra religiosa. Acho que me enganava. O preconceito assumiu uma cadeira de terno e gravata e está sendo pago com dinheiro do contribuinte. O meu “pô”!

Também pensava, que quando as coisas neste país chegassem ao limite do absurdo, o povo sempre teria o poder. Ora, bem que ele está reivindicando, mas…Não está sendo ouvido?!?! Ando pasma!

Já vi tanta manifestação sobre o assunto, que achei que me bastaria compartilhar por aí o que foi produzido ou responder aos amigos que essa não é uma atitude bacana.

Mas não deu. Ando muito decepcionada com algumas pessoas que há muito achava conhecer. É para essas pessoas que dizem ter boa “cuca”, que eu já vi em todas as fases, que algum dia até afirmaram querer um mundo melhor, que eu escrevo em súplica para pedir um pouco mais de respeito ao próximo.

Para elas, desejo dizer que sei de meu pequeno tamanho diante do universo, que eu nunca achei que deus pudesse ter apenas um nome, mas que em contemplação aceitei que poderia chamá-lo da forma que desejasse e ainda assim ele seria dotado de amor. Um amor gigante, capaz de aceitar a mim e ao próximo sem maiores questionamentos. Puro amor.

Não desejo discutir religião. Até mesmo por que, acredito que não é a fé o problema nessa situação. Estamos falando de outros interesses e de gente que acha que está acima do seu próprio deus, a ponto de acreditar que podem julgar o próximo.

Quero falar sobre essa ferida aberta. Sobre um país que prende quem se manifesta, mas deixa libertos os que agridem direitos mínimos garantidos pela própria Constituição. Onde as pessoas são capazes de disfarçar seus preconceitos afirmando que “até possuem amigos gays”, que afirmam não ter “nada contra os homossexuais, mas eles não deviam casar”. Que bradam pelos seus direitos, mas avançam com um carro quando acontece uma manifestação. Que dizem respeitar as mulheres, mas não perdem a oportunidade de apresentá-las citando o marido e questioná-las pela opção de construir uma carreira. Que não têm preconceito contra os negros, mas ignoram a sua realidade no mercado de trabalho e no acesso a educação. Eu quero é falar do preconceito que a gente diz não ter.

Esse preconceito feio, que a gente disfarça com pequenas máscaras só para não assumir que dentro de nós existe um monstrinho. E não se enganem! Quase todo mundo, das mais diversas posições sociais… Têm.

Quero dizer isto, por que entre aqueles para quem dedico este texto estão colegas de profissão, amigos de muita fé e antigos parceiros de luta política. O preconceito veio na era virtual “bater em minha porta” com a reprodução de frases ignorantes e cominou na total intolerância a minha opinião divergente.

Peço que também não ignorem aqueles amigos que diante desse momento de importante discussão social, se calam para não ter de refletir sobre seus próprios preconceitos.

Algumas pessoas disfarçam seus fantasmas reclamando o motivo de tanto questionamento diante de outras importantes questões nacionais. Ora, se me preocupa a corrupção? Sim, ela me preocupa! Mas, preocupa-me ainda mais um povo intolerante. A intolerância para mim é sinal de ignorância, e um povo ignorante não deixa de votar em corruptos.

Nem tudo é tristeza. O que está diante de nossos olhos pode ser cuidado. Se a ferida está aberta é sinal que podemos cuidar de sua cicatrização. Vamos seguir em frente meu povo, e sem desistir antes do fim da batalha.

E não posso deixar de afirmar que tem muito amigo meu fazendo bonito, lutando. É isso aí meu povo, vamos seguir unindo nossas diferenças religiosas, de cor, de opção sexual e vida, para encontrar nelas nossas semelhanças.

Marcos Feliciano, você não me representa.

 

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2 comentários sobre “Brasil, a ferida foi aberta!

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