A revolução estampada em uma camiseta

hugo_chavez_camisetas-r60533135155c414fbfaf845ab2cdefee_f0yyp_525( Publicação de 03 de agosto de 2012- migrada do blogspot)

Navegando na internet, descobri o site zazzle, e posso afirmar que fiquei estupefata com o fato de que até Hugo Chaves virou moda. Neste caso, as camisas conseguem estar divididas entre as que glorificam e as que denunciam o presidente venezuelano.

Já tinha esse sentimento do quanto a revolução podia ser apropriada pelo capital, quando via as camisas massificadas do Che Guevara. Já encontrei a imagem do revolucionário cubano, pasmem, até em calcinha.

Marx, no Manifesto Comunista (1848), deixa claro o quanto o capital pode se apropriar das emoções humanas e transformá-las de maneira significativa em algo a ser consumido:

” (…) A burguesia desempenhou na História um papel revolucionário decisivo. (…) Reduziu a dignidade pessoal a simples valor de troca e, em lugar das inumeráveis liberdades estatuídas e arduamente conquistadas, erigiu a liberdade única e implacável do comércio.”

( Marx e Engels, Manifesto do Partido Comunista, 1848).

Não é incomum que a camiseta, item do vestuário, seja utilizada para a propagação de um ideal. Ela associada ao jeans, é um ícone da moda facilmente relacionado à juventude, a ousadia e a pura expressão de rebeldia. Também não é incomum vermos jovens, utilizando no vestuário marcas de identificação ideológica.

Em um mundo onde o individuo é sufocado na massificação, o que vestimos pode nos diferenciar ou nos aproximar daqueles que consideramos nossos pares. A camisa do Che Guevara é, portanto uma marca, visual de um grupo que defende uma posição ideológica determinada. Ou ao menos deveria ser.

Quando o capital se apropria desse sentimento e o transforma em uma simples questão de moda para consumo. Vemos a chamada Indústria cultural a todo vapor. A questão não é mais a predileção de um grupo de indivíduos por uma determinada posição política. O que esta em questão não é o sentimento irmanado de compreensão do símbolo revolucionário, mas o simples consumo da ideia de que somos jovens e rebeldes. Em suma, Che, ou no caso Hugo, virou pop.

Lembro-me de uma vez que fui realizar um curso de formação para jovens operários, ao lado de outros jovens comunistas tentava explicar o que significava Cuba na história do socialismo. Indaguei sobre Fidel Castro, e ninguém soube responder. Diante de certa dificuldade, perguntei então sobre Che, e mais uma vez a resposta foi o silêncio. Olhei para o lado e lá estava ela, uma camisa do Che Guevara. Perguntei de pronto ao proprietário: e você não sabe quem é este em sua camiseta?

E se saíssemos perguntando a cada proprietário de uma camiseta Che Guevara, será que todos saberiam?

Talvez muitos me respondessem o nome. Muitos poucos saberiam falar sobre a revolução cubana. Em menor número, haveria os que saberiam me explicar os sonhos de tão famoso revolucionário. E possivelmente, no meio deles, haveria os que mesmo vestindo a camisa, praguejariam contra as ideias socialistas.

É triste, mas algumas vezes, o capital me convence de que a revolução e minha rebeldia podem ser compradas numa camisaria. Ainda bem, que tem o movimento sindical para me lembrar, que a revolução se faz é com atitude.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s