Dilma e o baião de dois

( Publicação de 11 de janeiro de 2011- migrada do blogspot)

E lá vou eu atrás de polêmica…

Em 2007 fui alfabetizadora do “Todas as Letras” da CUT (Central Única dos Trabalhadores). O objetivo do projeto era letrar jovens e adultos, desenvolvendo o conhecimento do mundo do trabalho, da política e da sociedade.

Em uma das aulas, decidi que deveríamos discutir o conceito de cultura e identidade cultural (o que não é nada fácil).  Minha intenção era esclarecer que o que determina a compreensão de uma identidade cultural é uma série de redes estruturadas que permeiam o imaginário, as vivências e as práticas de cada ser humano e dos grupos ao qual pertence.

Abri à discussão, solicitando das alunas a tarefa de construir cartazes com palavras escritas e/ou coladas e fotos do que elas entendiam como sendo “coisas do Brasil e que fazem o brasileiro”.

O resultado foi no mínimo curioso.  Existiam nos cartazes menções significativas e repetidas de três itens: Baião de dois, Petrobrás e Lula.

Comecei contando as alunas a história do Baião de dois e as particularidades dos alimentos que surgem pelas mãos dos sertanejos, expliquei também para a surpresa de todas elas, que o baião é uma comida típica nordestina e que existem pessoas que não consomem a iguaria.

Falei sobre a Petrobrás (que era parceira do projeto).  As senhoras só haviam ouvido falar da companhia e muitas não sabiam nada sobre petróleo. Na ocasião elas “tomaram conta” da Petrobrás ao descobri-la como empresa pública de orgulho nacional.

Ao questionar sobre a figura do Lula, questões foram levantadas por minhas alunas, porém, lá do fundo da sala, surgiu uma sonora exclamação:

– É porque ele come baião de dois igual a “nóis” professora!

Quando me lembro do episódio, fico questionando se aquelas senhoras, diriam a mesma coisa sobre a Dilma, e concluo que ela dificilmente come baião no imaginário das minhas ex-alunas.

Dilma não se parece com o Lula e cá entre nós, não acho que ela deva parecer. O personagem que tentam formar nela deixa uma constante sensação de desconforto no ar.

O que tento dizer é que a Dilma é a Dilma, ora bolas! E deveriam deixá-la ser. Quem disse afinal que a Dilma tem que se parecer com o Lula?

Falta para mim, encontrar o tom da candidata. O tom da Dilma que pareça natural aos olhos do povo. Ai poderia acreditar que aquelas senhoras do Alto Alegre, chegariam a dizer:

– A Dilma não come baião professora, mas, e daí? Ela ficaria bem como presidente mesmo comendo só macarronada…

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