A copa do mundo é nossa?

( Publicação de 11 de janeiro de 2011- migrada do blogspot)

Hoje durante meu horário de almoço sai para um restaurante do Centro e acompanhei o jornal da Globo. Minha atenção voltou-se para duas reportagens sobre a África do Sul.

A primeira era sobre a paralisação dos trabalhadores do setor energético que exigem 18% de aumento para sair da greve, e cá entre nós, em um país que tenta recuperar-se de anos e anos de exploração branca inglesa, pedir 18% na véspera de um evento como a copa, ainda é pouco! Quem em sã consciência, não se valeria de tal oportunidade para tentar melhorar a qualidade de vida?

A segunda  falava sobre a umidade do ar. Os jornalistas levando choques da eletricidade estática.

Acabei recordando de um documentário que vi outro dia em um canal de esportes da Net. O assunto era a construção de estádios gigantes para a copa que causava na população certa revolta. E a revolta estava sendo duramente repreendida.

Parte da preocupação  do povo era com a construção de “elefantes brancos” em uma África de graves problemas econômicos.

O documentário também questionava o lucro imediato da organização ( FIFA) com a venda de permissões e produtos, em detrimento do lucro dos países sedes que só são conquistados a longos prazos.

Não posso afirmar nada sobre o tema, já que não possuo dados sobre os lucros dos países durante e após as copas, mas posso afirmar, numa reflexão leiga, que embora os lucros da organização não pareçam muito justos, se a Copa não trouxesse vantagens políticas e econômicas, a quantidade de países disputando a oportunidade de sediar não seria tão grande.

Também não sou especialista em África do Sul e nem escrevo colunas esportivas, mas  fico surpresa ao notar tanto “agouro” nessa Copa como jamais testemunhei em  alguma. De repente parece que a nossa “mama” tem que provar, mais do que qualquer outra nação, que não é uma incapaz.

Não acho que as coisas sejam sempre propositais e que exista uma teoria da conspiração da mídia. Mas, parece-me que o ideário capitalista estruturou-se de tal forma em nossas entranhas que anormal é ver o lado bom da África, torcer que tudo dê certo e acreditar que qualquer país (sem alienação) pode por um breve momento viver uma glória.

A Copa do mundo não é nossa? Branca, negra, rica ou pobre? E o futebol, não é o esporte mais democrático do mundo?

Então eu acredito que a Copa será bacana, que os povos podem se encontrar em festa, que os estádios serão após o evento um local de incentivo ao esporte, que não haverá violência e que a África irá recolher bons frutos para reconstruir aquilo que o mundo um dia lhe arrancou.

E que venha o Brasil. A Copa do mundo também é nossa…

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