Carta para Ciro Gomes

Amigo Ciro,
Bom, não somos realmente amigos. Mas por um motivo qualquer cantarolo Chico Buarque enquanto escrevo, talvez, porque minha mente tenha resolvido me lembrar, diante desse clima de Fla x Flu, que a gente pode mudar as cores e os escudos, mas que não podemos jamais mudar a amizade que deve existir. Ou quem sabe somente Chico, com sua poesia estonteante, possa dar realmente conta das coisas que vão no peito em um momento como agora. Não sei.
Se minhas palavras não vão na altura das de Chico, você me perdoe. Não é por não achar que nesse momento as palavras tenham menos importância. Na verdade, elas estão importando tanto que ditas por um homem de má índole, estão matando gente.
Há duas noites, um amigo que veste as cores de teu partido, chegou a aconselhar para que te deixasse quieto. Mas quieto eu não posso te deixar. Então a carta vai assim, sem recomendação e sem Chico. Vai de mim com coração de povo. Desculpa sabe? Em outros tempos teu descanso seria justo, porém nesse de tanta injustiça, não há descanso para os grandes, pois não há descanso em nosso lar.
A remetente também não é a das melhores. Não fui sua eleitora. Pelo menos não nas questões nacionais. Aqui, porém, dei meu voto a teu irmão e a Camilo. Devo dizer, se isso for amenizar meu currículo, que apesar de ter minhas críticas, eu não deixo de me contaminar com esse certo orgulho dos que nessa terra habitam, de ter entre seus filhos, um pulso como o teu.
Veja bem Ciro, existe essa admiração pela sua inteligência. Quem poderia discordar que você entende bem de muita coisa?
O temperamento, que tanto falam, é que as vezes atrapalha. Ele não é problema por você falar palavrão, afinal todo mundo fala, e não é quando você fala profundas verdades que precisam ser mesmo ditas. O lance Ciro é quando ele faz você tomar essas decisões que a gente não entende.
Eu sei, que não há de se ter perfeição entre os homens. E imagino que muitas vezes, justamente por ser muito inteligente, as coisas travem na garganta e precisem explodir.
Veja bem, não estou falando para te ofender. Quando os amigos jornalistas falam sobre essa questão, costumo dizer que se pudesse trabalharia para ti na tarefa de cutucar. Vejo tanto de nossos políticos se cercarem de gente que parece que está pisando em ovos, que acho que falta o tal funcionário da cutucada. E já que ele, por medo ou por admiração, parece não existir, me ponho, sem que me peçam, nessa tarefa.
Mas não se magoe. Essa minha cutucada, quem sabe, pode te colocar no lugar dos grandes. Pois você por si, tem todas as ferramentas para conquistar essa láurea.
Talvez você ache tola essa minha audácia. Mas eu aprendi, como aprende o nosso povo, que para sobreviver, não devemos ter vergonha de pedir.
A gente pede com o coração quando ele está fragilizado. Depois a gente espera, com a fé que a gente tem, que o pedido encontre do outro lado a ternura que anda tanto em falta entre os homens.
Vou esperar Ciro, mas saiba que a gente não pode esperar muito pela resposta. O Brasil de 2022, já não será o Brasil de agora.
No Brasil de 2022, talvez nem essa que agora te escreve esteja mais aqui. E vão pesar sobre os que ficaram, os fantasmas dos que tombaram. Pois a gente vai lutar, Ciro. A gente vai lutar.
Pode parecer um tanto piegas o que agora te digo, pode parecer que esteja fazendo romance. Mas Ciro, a História já nos mostrou não se subestima a opressão. Assim como não se subestima a resistência de todo povo que sofre. Nós já sangramos demais.
Poderia te apelar usando a lógica política diante do desafio que será aos teus governar um Ceará que se fez resistência. Mas as favas a lógica política que nos fez chegar até aqui! Ela faz com que homens de boa fé se entreguem a cálculos e acordos que não cabem no coração do povo.
Para nós, os raciocínios partidários, as expectativas políticas deste ou daquele bloco, pouco importam. O que a gente quer é muito simples. A gente quer liberdade, fraternidade e igualdade, prometida há tanto tempo pelos ideais de uma certa Revolução.
Pelo povo, estava todo mundo junto. Numa festa democrática gigante sem hora para acabar. Basta ver o que se comenta. Já colocaram todo mundo junto em um único governo e deram até os cargos. Ah! Essa nossa ingenuidade! Mas por que não? Não seria essa a mais singela e amorosa forma de expressar nossa sede de democracia.
Foi tão lindo sabe? Dessas coisas que arrepia os pelos dando uma vontade louca de chorar de tamanha emoção, ver o Boulos parar tudo e dizer, seja ensaiado ou não, o que doía em nosso peito. Ver ele vestir as vestes para essa luta e dizer, que não importam as diferenças, pois “ele não”.
E daí nós esperamos por ti, esperamos por Marina, pelo Daciolo e até pela direita liberal. Mas vocês ainda não estão lá. Vocês ainda não atenderam nossas súplicas.
E aqui, a gente, seu povo, o povo deles, seguimos em oração no campo de batalha, sendo mortos, apanhando, sendo ameaçados e com medo. Muito medo.
Ciro, ontem eu ouvi um relato que uma criança de seis anos. SEIS ANOS, aqui de Fortaleza, que foi ameaçada! Um vizinho disse a criança, que quando seu candidato ganhasse ele ia comprar uma arma para matar a criança, a mãe, e se livrar “dessa gente”.
Eu sei, que a presidência é um sonho seu. E é difícil ver que lhe dificultam concretizar os sonhos, pois eles são maiores do que a gente. Mas não nos culpe, não é por maldade ou ingratidão. É porque, Ciro, o Lula é nosso Coração de Leão. E se me permitir seguir utilizando a referência inglesa, devo explicar, que não havia entre os homens e mulheres do povo que mais lhe são guardiões, outra opção que não lhe servir no campo de batalha.
Isso, porém, não tira o brilho dos nossos generais da democracia. Ao contrário, é nos tempos de trevas que se fazem os grandes. Vista então sua armadura brilhante, Ciro, e convoque os demais generais, pois a História lhe chama pela voz dos seus, para que seja parte dela como um gigante. A glória haverá de ser daqueles que que ouviram o ecoar da voz de seu povo.
Nesse momento, onde uma semana pesa como um segundo. E podemos ter um momento raro onde os acontecimentos nos dão a percepção que estamos construindo o que amanhã estará nos livros. Não há tempo para mais nada, nem mesmo temer escrever uma carta.
Quero vê-lo trilhar os caminhos do norte, a dizer a nossos irmãos que para lá migraram, que do Nordeste vem um apelo. Você e homem certo para tal missão. Quero ver-te ensinar a Haddad, como as vezes a palavra precisa ser empenhada como espada, para defender a verdade e a justiça.
Não mais PT, Ciro. Mesmo que o PT possa titubear e pensar assim. Agora somos todos nós contra a mais tenebrosa face do mal.
E ter lado nesse momento não é uma opção. É uma necessidade.
Fortaleza, 12 de outubro de 2018
Jornalista Marina Valente

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Para o ano

( Publicação de 03 de janeiro de 2014- migrada do blogspot)

Pareceu-nos velho. Cansado. Carregava em si marcas de felicidade e algumas outras de tristeza. Sabemos os que ele perdeu e pelos quais chorou, também reconhecemos todos os motivos pelos quais sorriu.

Demos para ele pouco tempo para tanto que desejava realizar. Prometemos tantas coisas e, sabemos bem, que não cumprimos todas.

Porém agora é tarde! Ele já se foi. Saiu em chuva de prata. A mesma que caiu quando ele chegou.

No lugar dele, recebemos uma vida nova e todas as oportunidades que ela nos trás.

Foi-se mais um ano e mais um se iniciou. Quantas promessas poderemos cumprir? Quantos risos poderemos dar?Quantas vezes nosso coração poderá palpitar?

Recebemos 2014 e com ele podemos fazer tanto! Promover a paz! Rever amigos e conquistar outros mais! Beijar os lábios amados infinitas vezes! Abraçar! Gerar vida! Cantar e dançar! Festejar! Trabalhar duro! Estudar! Passear! Perdoar! Voar!

Enfim, podemos tudo e temos tanto tempo para sonhar!

Reencontro

( Publicação de 10 de setembro de 2013- migrada do blogspot)

minhas artes

Encontrou-se com a menina tocando os dedos na areia grossa que circundava a lagoa. A luz do sol iluminava aqueles cabelos finos ainda castanhos claros que voavam no interesse da brisa. Perguntou-se se anda lembrava-se dela. Mas aquele gigante sorriso da menina quase tão brilhante quanto o sol não encontrou, no olhar da moça, quase brilho algum. Fez então com a cabeça um gesto de negação.

A moça já espera a resposta, também pudera, foram anos e mais anos da mais terrível solidão. Passaria ela por tanta maldade humana que dedilhar a areia era atividade que não se dedicava fazia tempo. Suspirou.

E num gesto como de outrora, abaixou-se ao chão e de leve tocou a areia. O silêncio foi de horas. Também, pouco importava a menina falar, pois sabia que os adultos pouco escutam, e pouco importava a moça falar, pois sabia que o silêncio muitas vezes falava quase tudo.

Sentadas, as duas olhavam para o horizonte. Uma e outra tentando adivinhar o que havia para além da extensão do universo. Nenhuma, porém suspeitava. Desistiram por fim e se entreolharam. Sorriram. O melhor é sempre sorrir.

Abraçaram-se por fim, e mal se pode ver onde acaba a menina e onde começava a mulher. Levantaram-se e seguiram pela costa catando cada concha e contando cada grão de areia. O final do trajeto não se pode ver. Nunca se sabe.

Doutor, a saúde vai mal, muito mal

( Publicação de 27 de agosto de 2013- migrada do blogspot)

Não é preciso uma técnica de pesquisa para entender que a saúde pública, e até mesmo a privada, vai mal das pernas no Brasil. Basta ter sido paciente um único dia para que o indivíduo chegue à conclusão de que as coisas não vão muito bem. E os problemas não vêm de hoje, são anos e anos de descaso.
Filas, falta de equipamentos e medicamentos, e até mesmo de unidades de atendimento são denúncias encontradas todos os dias nos grandes jornais de nosso país.
O Sistema Público de Saúde (SUS), porém ainda representa um grande avanço frente ao serviço de saúde de outras nações aonde as pessoas ao adoecerem hipotecam casas, abrem cadernetas de poupança ou simplesmente morrem por não conseguir garantir os custos hospitalares.
A doença que consome esse sistema, tanto o público quanto o privado, é fruto de uma lógica industrial que envolve promessas de campanha jamais cumpridas, interesses econômicos da indústria farmacêutica e também uma lógica econômica e social muito torta, reproduzida por gerações e gerações de médicos e donos de hospital.
Doenças graves podem ser bastante rentáveis.
Os médicos como categoria profissional podem e devem reivindicar seus direitos. Dedicam-se anos a fios ao estudo e gastam verbas absurdas com livros durante sua formação e toda a sua vida. Embora boa parte da população não receba salários iguais aos dos médicos brasileiros não existem custos que representem a necessidade de remunerar bem aqueles que salvam vidas.
E também não existem argumentos que justifiquem a situação dos hospitais públicos no Brasil. Mas não existem argumentos que justifiquem a falta de tratamento humanizado, os pontos fantasmas praticados por alguns médicos e total falta de iniciativa de parte da categoria em se dedicar ao tratamento dos quer mais precisam, mesmo com a oferta de polpudos salários.
O maior exemplo como as coisas podem ser diferentes é dado pela própria categoria. Os médicos sem fronteiras são uma organização humanitária internacional que leva ajuda às pessoas que “mais precisam sem discriminação de raça, religião ou convicções políticas”, conforme eles mesmos divulgam em seu site. http://www.msf.org.br
A organização que foi fundada por médicos e jornalistas atua desde 1971. E surgiu justamente em uma situação aonde faltava “de um tudo” para o socorro médico: uma guerra civil, ocorrida no fim dos anos 60 em Biafra, na Nigéria.

“Enquanto a equipe médica socorria vítimas em uma brutal guerra civil, o grupo percebeu as limitações da ajuda humanitária internacional: a dificuldade de acesso ao local e os entraves burocráticos e políticos faziam com que muitos se calassem frente aos fatos observados (…) surge, então, (…) uma organização humanitária que associa ajuda médica e sensibilização do público sobre o sofrimento de seus pacientes, trazendo à luz realidades que não podem permanecer negligenciadas”, descreve o site.

E a organização cresceu unindo cerca de 30 mil profissionais de diferentes áreas de atuação e de diversas nacionalidades, dentre elas, brasileiros. GENTE, no seu sentido mais amplo, que atua em mais de 70 países que enfrentam as mais difíceis situações, dentre elas, desastres naturais, conflitos, desnutrição e de exclusão do acesso à saúde.

Alguma semelhança?

“Há mais ou menos um mês, recebemos um menino de nove anos no pronto-socorro que estava na escola quando foi picado por uma cobra – acontece frequentemente com crianças por aqui. Ele chegou andando e falando. Veio porque os colegas o trouxeram. Depois de 30 minutos, ele começou com hiperssalivação, uma hora depois começaram os vômitos e, menos de duas horas depois de sua admissão, ele morreu e nós ficamos lá, impotentes diante dele, porque não tínhamos o soro antiofídico em nossa farmácia”,

– descreve a médica brasileira Rachel Esteves Soeiro que atua na Ningara.

SIM, a falta de estrutura mínima para um atendimento. Mas, o que mais chama atenção são justamente as diferenças. A médica estava lá. Pela força de seu depoimento podemos perceber que ela estava envolvida. Isso é o que chamamos de atendimento humanizado. E essa forma de tratamento é a que tem feito falta, aliás, muita falta, ao povo brasileiro.

É justamente a falta de sensibilidade para os que aguardam em filas, a falta do olho no olho durante o atendimento, a fala fria ao receitar exames que provavelmente só serão vistos quando a dor passar além da ausência daquele velho médico, que conhecia tão bem a família desde o nascimento dos “meninos” a morte do patriarca, que são fruto maior das reclamações que podemos escutar em uma visita ao consultório.

Em nosso país com vagas abertas em tantos locais de nosso território, com oferecimento de salários consideráveis que jamais são ocupadas pelos nossos… Por que não abrir espaço para esse outro tipo de médico? Capaz de largar seu próprio país para se dedicar de corpo, alma e coração a profissão que um dia escolheram.

Ser médico é bem mais que uma profissão. E quem a escolheu deve, com todo certeza, ter consciência disso. Ou não?

Será que nossos médicos, esqueceram de que optaram por uma profissão da qual a sociedade espera TUDO? Esqueceram que em juramento prometem que em

“(…)toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário (…)“?

(juramento de Hipócrates)

Esqueceram que no fim, seu oficio representa vida?

Deixem-nos abrir a porta a uma esperança. A esperança de que nas mais distantes vilas desse vasto território haverá uma mão para socorrer. Deixem que venham aqueles que podem ensinar e também aprender. A experiência há de ser gratificante.

“É muito interessante porque os enfermeiros sempre fazem perguntas sobre os pacientes e acabamos tendo boas discussões clínicas, que, em minha opinião, é a melhor forma de aprender, porque assim eles se lembrarão do caso e o associarão à teoria (…) No mês passado, recebemos dois médicos congoleses recém-formados para estagiarem conosco(…) “ensinar” os médicos, eles são interessados e gostam de discutir”, descreve Soeiro.

Enquanto isso, médicos brasileiros prestam-se o papel de ofender médicos cubanos que chegam ao Ceará. A sensação do povo é de vergonha. Justamente os médicos cubanos, conhecidos por viajar por tantos países levando essa mão que tanto desejamos? Donos de uma fama considerável pela dedicação a medicina da família e ao atendimento básico preventivo. Por quê?

A explicação estaria em um estranho nacionalismo do nosso “corpo médico”? Não. Costumamos abrir as portas para receber sem preconceitos, médicos advindos de tantos outros países, alegramo-nos com palestras e com o conhecimento de novas técnicas desenvolvidas. Sem falar que algumas vezes fazemos isso com estrangeiros nem tão especialistas assim?

Além do mais, se fosse nacionalismo de verdade, nossos doutores não se incomodariam de seguir curando nosso povo em todo canto da nação.

Seria então puro protecionismo profissional? Mas que proteção é essa de um emprego que não se quer ocupar?

Quem sabe, poderíamos dizer que é uma chance de chamar a atenção para as condições de saúde do Brasil? Mas que tipo de manifestação é essa que agride iguais? E por que se silenciam nossos médicos quando gritam pacientes em macas de hospital? E por que não denunciam a vergonha dos planos de saúde, sempre tão caros e ineficientes?

Ou será que tudo isso é por força dessa grande indústria que se alimenta de todo mal?

Desculpe-me Doutor, mas a saúde do Brasil vai mal, muito mal. E a pior de nossas doenças é justamente essa que vocês desenvolvem os sintomas: xenofobia, preconceito e falta de capacidade de entender aonde é que está doendo mais.

Impropérios

( Publicação de 24 de maio de 2013- migrada do blogspot)

Diante de mais uma afirmação bombástica do ex-ministro Ciro Gomes, a imprensa cearense se alimenta de uma série de noticias que dão conta do troca-troca de desaforos entre personalidades da vida pública cearense.

De um lado está a figura do irmão do Governador, do outro o vereador e líder sindical, Capitão Wagner.

Na defesa de Ciro, a Assembleia Legislativa, que possuí larga base de apoio ao governo. Na defesa do Capitão, a Câmara Municipal, casa onde o apoio ao recentemente eleito Prefeito Roberto Cláudio (que teve apoio do governador) é um pouco mais dividida.

Estão na lista das afirmações inesquecíveis do ex-ministro a afirmação de que “a minha companheira tem um papel fundamental. Ela dorme comigo” ( sobre sua então mulher, Patrícia Pilar durante a campanha para presidente), a declaração de que polícias e bombeiros grevistas eram um “conchavo de marginais fardados com marginais da quadrilha da droga que colocou toda a sociedade refém”, a de que o PMDB é “ajuntamento de assaltantes” ( programa É Notícia da RedeTV!) e a de que “Lula está navegando na maionese. Ele está se sentindo o Todo-Poderoso e acha que vai batizar Dilma presidente da República”.

Sobre o Capitão Wagner, Ciro disparou: “Tem uma questão grave. Você tem uma polícia, que a maioria é gente séria e trabalhadora, só que é orientada por uma milícia. Coisa ruim mesmo, coisa pesada, conexões com o narcotráfico, e o chefe é o capitão Wagner. E eu vou denunciar isso, nós vamos enfrentar”.

A reposta do Capitão foi a de que Ciro estaria tentando desviar o foco do debate sobre problemas da segurança pública no Ceará.

Feito o processo acusatório, podemos dizer que o ex-ministro aprendeu bem os caminhos da espetacularização da política. E a pergunta que aparentemente não foi feita, talvez seja a mais importante delas: Alguma prova?

Mas a mídia, ainda sedenta de vendas na era pós Collor, abre espaço a simples troca de informações baseada no eu te acuso e você que se defenda.

Pode até ser que o Capitão Wagner não seja um santo. Mas, o que não poderia jamais acontecer em um estado democrático de direito é a mídia seguir pautando dessa forma.

Em um ponto especifico, o Capitão está com toda razão. A partir da troca de acusações deixou-se de discutir a violência crescente na cidade.

A mesma mídia que por toda uma semana ressaltou o número crescente de assassinatos, agora dá espaço para os impropérios.

E, diga-se de passagem, quase não discutiu com a sociedade, o convite feito pelo prefeito Roberto Cláudio a Moroni Torgan para auxiliar na construção de um plano de segurança para Fortaleza.

Sim, o Moroni, ex- secretário de segurança de Tasso Jereissati. O mesmo que estabeleceu o Sistema Integrado de Defesa Social (Sindes) que como sabemos começou a ruir após o Caso França em 1997, e de quem o próprio Tasso em 2004 (entrevista para o jornal O Povo) afirmou: “O Moroni sabe o que eu penso dele. A turma que está atrás do Moroni não tem condições de estar na Prefeitura de Fortaleza. É uma turma da pesada, da repressão, que compactuou com os piores momentos da Polícia”. ( uma outra troca de impropérios).